segunda-feira, 5 de março de 2012

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Estou a precisar de...fugir.
O facto de estar há algum tempo sem sair da rotina está a perturbar-me a calma dos pensamentos e das atitudes. Ando irritante e disparo para todos os lados, principalmente para cima daqueles de quem gosto e isso já me originou alguns dissabores...já me causou algumas perdas!
Quem me conhece sabe que as minhas viagens, mais do que um ótimo motivo para conhecer sítios novos e gente diferente, servem para recarregar energias e poder enfrentar as novas etapas e desafios que se me colocam todos os dias. 
Este ano por causa da nova aventura a que me propus, que sinceramente acho que estava mesmo muito doidinha quando nela embarquei, fez com que até o Natal fosse passado em frente ao fiel companheiro D. PC, vulgo computador, e que me tem atrofiado os neurónios nos últimos tempos.
Quando fazemos as coisas por prazer e não por obrigação a coisa torna-se leve e prazeirosa, mas quando assim não é, o prazer é-nos retirado e tudo se torna muito penoso.
 Hoje, depois das aulas, apesar de ser AINDA 2ª feira, senti-me exausta...entrei no carro e segui em direção ao mar...sou uma pessoa de contrastes, tanto adoro a imensidão da planície e do deserto, como o turbilhão do mar.
Quando cheguei junto dele, não contive as lágrimas, desde pequena que este é o meio que escolhi para desabafar, a minha mãe por uns tempos pensou que andava com uma depressão, que não era normal que uma criança chorasse assim... do nada! 
Ainda hoje, já  mulher adulta, essa continua ser a forma de exorcizar os meus tormentos...
Por breves instantes consegui alcançar alguma paz interior, não fosse ela quebrada por uma voz que dizia: "Menina, sente-se bem? Precisa de ajuda? Magoou-se?" Olhei em volta, atrás de mim um casal de velhinhos olhava para mim com um olhar preocupado "Está tudo bem, obrigada pela atenção!", respondi.
Subi a rocha e caminhei para o carro...ainda ouvi :"Não esteja triste, menina! É tão bonita, dos seus olhos só deviam sair sorrisos!", esbocei um meio envergonhado, que penso já não foi visto, queria sair dali, alguém havia descoberto o meu estado de alma.
No outro dia, a caminho de Coimbra, a minha colega disse-me :"Acho que já te conheço um bocadinho. Disfarças as tuas incertezas e angústias com o teu bom humor e sorrisos!" 
...
Deixo-vos um poema, também ele reflete o meu estado da alma...

CREPÚSCULO

É quando um espelho, no quarto,
se enfastia;
quando a noite se destaca
da cortina;
quando a carne tem o travo
da saliva,
e a saliva sabe a carne
dissolvida;
quando a força de vontade
ressuscita;
quando o pé sobre o sapato
se equilibra...
e quando às sete da tarde
morre o dia
- que dentro de nossas almas
se ilumina,
com luz livida, a palavra
despedida. 



DAVID MOURÃO FERREIRA, in OS QUATRO CANTOS DO TEMPO-Canto I (Livros de Portugal, RJ,1ª ed, 1958), in OBRA POÉTICA (Ed. Presença, 5ª ed., 2006)

2 comentários:

GANDALF disse...

Mesmo nas tuas lagrimas á um sorriso escondido,minha linda Bruxa,não tenho a pretensão de te conhecer,mas sei que és suficientemente forte para mudar o que não gostas e não te faz feliz,e quando for o momento certo,para ti,claro,tu vais muda-lo de certeza.

beijos de um AMIGO

Zabour disse...

Olá, amigo!
De facto os últimos tempos não têm sido fáceis , pensei k o novo ano estava a ser generoso cmg, mas parece k todas as minhas esperanças morreram na praia...Enfim, há-que arranjar forças e começar de novo ou então ganhar coragem e lutar pelo que desejo ter, que nao vai ser uma batalha fácil, bem sei, mas se calhar a que me trará um resultado mais prazeiroso...
Bjs e obrigada pela tua amizade msm virtual