terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O meu principezinho


Aqui há dias fui convidada para participar num piquenique.

Engraçado como pequenas coisas nos levam tão lá atrás no passado.

Lembrei-me dos meus 15/16 anos, ainda a viver no Alentejo. Nos verões abrasadores em que fugíamos para o Ardila, um dos muitos afluentes do Guadiana, para matar o calor.

Éramos mais de 20, todos juntos, em plena brincadeira e grande amizade. Uma paródia, uma risota pegada que só parava quando ao entardecer, ainda quente, mas mais sereno, nos separávamos para nos voltarmos a encontrar algumas horas depois.

Naquele tempo era assim que passávamos os nossos verões...ao na mata da piscina em jogos de cartas entre piadas e gargalhadas, ou então a fazer mais de 10 kms sob o Sol tórrido de uma tarde de Verão em baixo de mais de 40 graus, apenas com a vontade de tomar um banho nas águas frias de um pequeno rio.

Tenho saudades daqueles tempos, tenho saudades dos meus amigos de infância. Alguns não os vejo há mais de 20 anos ( bora fazer as contas para descobrir a minha idade...), outros, voltei a reencontrar há pouco tempo.

Lembro-me do Toninho, o meu princípe loiro de olhos azuis...

Sempre fomos amigos inseparáveis, e quando ele terminava um namoro era no meu ombro que ele se vinha aninhar para curar as feridas, mal sabia ele que eu só o permitia porque o que sentia por ele era mais que amizade, era um amor incondicional...

Lembro-me quando ele decidiu casar com aquela professora de história, fui a primeira a saber, não o condenei...sabia quais os verdadeiros motivos. Aquele casamento era o seu passaporte para sair dali, para procurar o seu pai. Sempre tinha sido o sonho dele, encontrar o seu pai...

Encontrei-o anos mais tarde em Setúbal, quando por lá estudei. Nem queria acreditar que era ele. Reconheci-o logo de imediato, os anos pareciam não ter passado por ele. Trocámos números, fizemos promessas de nos voltarmos a encontrar, mas tudo ficou por ali mesmo...

Hoje lembro-me do meu amigo Toninho, António Mestre de seu nome, uma criança no meio do Alentejo que teve que aprender a viver sem um pai que nunca o quis...

Hoje senti saudades de o ter perto de mim, e contar-lhe aquelas coisas que só se contam a um amigo que se ama incondicionalmente...

Hoje sinto-me assim...

9 comentários:

Eu Mesma! disse...

bem..
há anos que não vou a um piquenique...

sim.. quando era miuda os meus pais faziam muito isso... mas agora... no mundo em que vivemos.. nem me lembra algo assim tão simples..

Zabour disse...

Eu Mesma:
É curioso como com o tempo deixamos de fazer coisas simples e que nos dão tanto prazer.

Beijinhos

Anjo De Cor disse...

Recordar é viver ;)
Eu adoro pic-nic's e não há verão sem um lá por casa...
Beijinhos*

PS: Estás doente? :( as melhoras

Parisiense disse...

Quando somos felizes e nada estragou essa felicidade é sempre com muito carinho e saudade que a recordamos.

Tenta ligar para o teu amigo......quem sabe ainda o poderás encontrar.....não percas a esperança.

Eu não sabia de um amigo com quem muito partilhamos em França á mais de 20 anos e um dia destes através do numero de telefone da mãe dele( 88 anos) reencontrei-o.

Por isso nada como tentar.

Beijokitas

Zabour disse...

Anjo:
Eu cá já não faço um piquenique há anos e por acaso até tenho pena. NoAlentejo na segunda feira de Páscoa a tradição é ir para o cmapo fazer um piquenique com os amigos ou familiares. Aqui não se faz nada disso.

Estive 3 dias de cama , ams agora já estou rija :O)

Beijinhos

Zabour disse...

Parisiense:
Quem sabe se não faço isso, tenho que procurar o papelito, quem sabe ainda não mudou de nº? Se for como eu há-de ter o mesmo há séculos.

Beijinhos, miga, já tinha saudades

Cláudia Nóbrega disse...

Bonita e sentida homenagem a um amigo... ;-)

Eric Bustamante disse...

Porque não contou a ele quando se encontraram? Ligue para ele. Se é que você ainda tem o numero.

António Mestre disse...

Já sabes O numero e o mail
e sabes mais....
Bjs