terça-feira, 12 de agosto de 2008

Este país está de fio dental...

Aqui há tempos, li este artigo no JN, escrito pelo Mário Crespo. Parece-me que o país já não está de tanga, está mesmo é com um microscópico fio dental.



"O homem, jovem, movimentava-se num desespero agitado entre um grupo de mulheres vestidas de negro que ululavam lamentos. 'Perdi tudo!' 'O que é que perdeu?' perguntou-lhe um repórter.'Entraram-me em casa, espatifaram tudo. Levaram o plasma, o DVD a aparelhagem...' Esta foi uma das esclarecedoras declarações dos autodesalojados da Quinta da Fonte. A imagem do absurdo em que a assistência social se tornou em Portugal fica clara quando é complementada com as informações do presidente da Câmara de Loures: uma elevadíssima percentagem da população do bairro recebe rendimento de inserção social e paga 'quatro ou cinco euros de renda mensal' pelas habitações camarárias. Dias depois,noutra reportagem outro jovem adulto mostrava a sua casa vandalizada,apontando a sala de onde tinham levado a TV e os DVD. A seguir,transtornadíssimo, ia ao que tinha sido o quarto dos filhos dizendo que 'até a TV e a playstation das crianças' lhe tinham roubado. Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência. A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul. É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes que há famílias que pagam 'quatro ou cinco Euros de renda' à câmara de Loures e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a 'quatro ou cinco euros mensais' lhes sejam dados em zonas 'onde não haja pretos'. Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade. O país inteiro viu uma dezena de homens armados a fazer fogo na via pública. Não foram detidos embora sejam facilmente identificáveis.Pelo contrário. Do silêncio cúmplice do grupo de marginais sai eloquente uma mensagem de ameaça de contorno criminoso - 'ou nos dão uma zona etnicamente limpa ou matamos.' A resposta do Estado veio numa patética distribuição de flores a cabecilhas de gangs de traficantes e autodenominados representantes comunitários, entre os sorrisos da resignação embaraçada dos responsáveis autárquicos e do governo civil. Cá fora, no terreno, o único elemento que ainda nos separa da barbárie e da anarquia mantém na Quinta da Fonte uma guarda de 24 horas por dia com metralhadoras e coletes à prova de bala.Provavelmente, enquanto arriscam a vida neste parque temático de incongruências socio-políticas, os defensores do que nos resta de ordem pensam que ganham menos que um desses agregados familiares de profissionais da extorsão e que o ordenado da PSP deste mês de Julho se vai ressentir outra vez da subida da Euribor."


Depois disto só me apetece dizer :"SOCORRO!!!"


7 comentários:

GANDALF disse...

Antes de mais aqui estou eu como prometi,lol.
Ja comentei este artigo numa converssa de cafe,e para ser breve apenas digo que esta mania de ser vitima,por causa da cor,ou porque se é uma minoria,só me irrita,parece-me sempre uma boa desculpa para culpar os outros pelos nossos erros,estar sempre ha espera da "ajudinha" de alguem porque somos coitadinhos.
Pena é que o nossos governantes não olhem com os mesmos olhos para quem é "apenas" Português,que se encontra desempregado,que tem filhos e contas para pagar,familias inteiras endividadas por creditos de habitação,(e não lhes dão casas a pagar de renda 4 ou 8€ de renda mensal),pessoas essas que sempre trabalharam neste País e sempre descontaram para ele,para ja não falar na 3ºidade,nos reformados e nas suas pensões miseraveis.
Mas o mais ridiculo disto tudo é que essas chamadas minorias,ainda se dão ao "luxo" de fazerem exigências,tais como novos locais para viverem,promessas de segurança,etc,etc.
Nada me move contra ninguem,mas quero ter os mesmos direitos e oportunidades como Português e contribuinte.

beijos do mago

P.S.Gostei muito deste teu espaço,vou voltar muitas vezes ;)

Zabour disse...

Gandalf:
Adorei a tua visita. Concordo plenamente contigo. Só é pena que os ditos iluminados que até podem fazer a diferença não queiram saber do Zé Povinho, lá do alto da sua dita sapiência...

Volta sempre, muitos beijinhos e olha, se o Sol não te aqueceu o suficiente, a Lua vai iluminar o teu caminho. Podes contar sempre comigo para te acompanhar.

D.Antónia Ferreirinha disse...

Zabour, zabour, socorro grito eu quando me deparo com aberrações destas.
Mete-me uma raiva, que se fosse governante recambiava-os a todos para o raio que os parta.
E ainda se queixam do Sócrates, então tu não achas que ele é o pai que esta gente nunca teve?
Beijinho.

Zabour disse...

D.Antónia:
Só se for padrasto e dos bem maus...

Bjokas

pieces of me (Luna) disse...

sobre isso, nada a comentar, acho que o gandalf ja disse tudo, so espero que lhes pese na consciencia cada vez que compram um DVD, ou uma playstation para as ditas crianças... coisas futeis, desnecessarias, e dinheiro mal gasto que poderia ser aproveitado para juntar numa conta poupança e tratarem do futuro deles e dos filhos, ou comprar uma bela de uma casinha, porque eu tinha vergonha de dizer que "pago 5 euros de renda, e exijo que as pessoas que nao sejam da minha etenia estejam longe" haja vergonha na cara e respeito pelo outros! os hospitais precisam do dinheiro que essa gente utiliza so para nao fazer nenhum!

Zabour disse...

Luna:
O problema é k a palavra "consciência" não existe no dicionário desta gente, porque se exitisse já lhes havia de pesar tanto que pensariam 2 vezes antes de dizer asneira. Mas como diz a D.Antónia com um pai como o Sr.Sócrates o que podemos nós fazer?

Beijinhos lunares

Anónimo disse...

Aprendi muito