quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Voar...


Ele tem andado triste e angustiado por uma série de entraves que a vida lhe colocou.

Quando falo com alguém com quem tenho uma certa empatia e sinto que essa pessoa não está bem, fico triste.  

É nessa altura que gostava de ter asas e voar para junto dessa pessoa e dar-lhe um abraço bem forte, ficar ali pertinho dele, em silêncio, e partilhar a sua tristeza ou ao menos tentar aliviar um bocadinho o peso que lhe carrega a alma.

Sempre fui assim desde pequena. Sempre partilhei as tristezas dos meus amigos como se fossem minhas.

Fui criada como filha única, apesar de ter um irmão mais velho (isso é história para outro post), por isso, desde pequena sempre me senti muito sozinha. Encontrava nos meus amigos a companhia que me faltava nas horas difíceis, nas horas alegres, em todas as horas... Talvez por isso sofresse horrores quando por algum motivo alguma das minhas amizades "terminava"....

Felizmente, sempre tive muita facilidade em fazer amigos, talvez porque quem me conhece percebe que gosto de preservá-los e de acarinhá-los.

Hoje, na escola, à hora do lanche, a minha colega do ensino especial dizia que alguém, já não me lembro quem, gostava muito de demonstrar o carinho que sente pelos outros através do toque mas que nem todos vêem essa aproximação de bom agrado, talvez porque não estão habituados a receber gestos de carinho.

Engraçado, porque eu também já fui assim. Quando alguém de quem eu gostava, chegava perto de mim para falar, ou simplesmente para dizer "Olá", fazia questão de lhe demonstrar o meu carinho por ela. Sou uma pessoa de muitos afectos, sempre fui...

Mas a partir de uma certa altura da minha vida, decidi que não devia mais fazê-lo, achei que devia acabar com esses afectos e essas formas de demonstração de carinho. Cheguei à conclusão que as pessoas não mereciam que o fizesse, fiquei triste com esta decisão, mas era o melhor para não sofrer mais desilusões.

Hoje em dia os grandes merecedores do meu carinho são as crianças que me rodeiam.

Um dia, o ano passado, fiquei chocada com uma colega, que se diz grande pedagoga, quando um menino do 1º ano lhe pediu um abraço e ela o enxotou como se fosse um bicho nojento e mal cheiroso. Tive que me morder por dentro para não me caírem as lágrimas. Como é possível negar um carinho a uma criança, não consigo perceber...

Hoje, quando voltava para casa, no rádio tocava uma música da Sara Tavares, de quem gosto muito...

Deixo-vos um bocadinho da letra, faz-me pensar na angústia da acordar para a crua realidade e perder a capacidade de sonhar e "voar"... para junto os meus amigos.

 

"Quem diria ao sol,

que viria me beijar

e que as estrelas do céu ,

brilhariam no meu olhar.

 

E não quero... acordar,

tenho medo, de deixar... de sonhar...

 

O sonho acabou, a realidade começou,

ponho os pés no chão,

dou vitória à razão,

e não quero acordar...

Tenho medo, de deixar de sonhar..."

23 comentários:

Peregrina disse...

As crianças são, de facto, o melhor que esta vida tem. São capazes de me colocar um sorriso nos lábios, mesmo quando me apetece chorar.

Compreendo inteiramente o que dizes, também fui como tu. E ainda sou. Felizmente, e apesar de alguns problemas que inevitavelmente criei por demonstrar livremente o que sinto (podendo por vezes ser mal interpretada), ainda sou. :)

Beijinho*

Zabour disse...

Peregrina:
Eu também ainda sou assim, só que agora tenho mais cuidado com o terreno que piso. Tornei-me mais reservada e cautelosa, não tanto pelos outros, mas para o meu próprio bem...As pessoas às vezes são muito traiçoeiras, por isso não merecem o nosso carinho.

beijinho grande

Van disse...

Esses olhinhos lindos são teus? Por momentos pensei que eram os da nayma!
É, sabes, também era assim em miúda. Mas cedo me apercebi que há pessoas que têm um prazer especial em magoar, só porque sabem que nos afectam...então fechei-me. Hoje já não sou uma pessoa especialmente carinhosa em gestos, talvez só em palavras ou actos, não sei.
Somos mais ou menos colegas! =D não sou professora, embora a essencia se tenha tornado a mesma. Sou formadora e tenho trabalhado com aquilo que chamam a formação profissional de aprendizagem, ou lá o que é. Basicamente, trabalho com adolescentes (são mais crianças que adolescentes...) que por alguma razão não se safam na escola dita normal. Seja porque são obtusas (neste momento só tenho raparigas, em cursos de esteticismo,com idades entre os 15 e os 18), porque os pais não lhes possibilitaram um nivel cultural ou de abertura maior, porque são mimadas, porque são rebeldes, porque são pobres, porque têm dificuldades de aprendizagem, porque querem é ir trabalhar, porque não gostam de estudar...enfim, uma panóplia de rejeitados ou auto-rejeitados pelo ensino normal. Já tive turmas só de rapazes (electricistas) e mistas (tecnicos de qualidade). Prefiro as mistas, de longe, lol. Também já tive umas turma de adultos, ou melhor, supostamente de adultos, e odiei uma delas. Nunca vi gajas mais mesquinhas, interesseiras e intriguistas, já para não falar com uma falta de nivel terrivel. Na verdade só detestei 3 ou 4, e adorei outras, mas só essas 3 conseguiram que eu me quisesse livrar da turma o mais rapido possivel...
Há dias que odeio, há dias que adoro, há dias surreais em que acho que nada me preparou para lidar com aquelas coisas...
É aquela nossa mentalidade idealista, de querer fazer diferença na vida de alguém, de crianças (porque são crianças) com necessidades diferentes. Neste momento só tenho duas turmas (que dão trabalho como se fossem mil!!! lol), a quem dou (tento dar!) uma espécie de química e biologia cosmética (diz que é uma espécie lool LOOOOOOOOOOL). Não posso aceitar mais porque tenho uma tese de mestrado para desempanacar...
Mas tive a sorte de integrar numa óptima equipa de formadores e coordenadores, numa das turmas, e é incrivel ver como elas evoluem e melhoram como pessoas e como técnicas profissionais que vão ser. Com a outra turma é o oposto...enfim...

Zabour disse...

Van:
Sim, os olhinhos são os meus, já meio zen depois de uma cachimbada de palmeira e sumo da mesma (puro viagra,eh,eh,eh) Mas eu sou mais gira que a Nayma e simpática também ;)
E o que é um formador senão um professor?
Pois é, eles dão-nos cabo da cabeça mas também nos proporcionam os melhores momentos da vida, aqueles em que vemos que afinal continua a valer a pena continuar a remar contra a maré. Já tive em acumulação de serviço, turmas de ensino recorrente, com alunos dos 18 aos 80. Fizeram-me cabelos brancos, mas no fim tudo valeu a pena.Afinal é para isso que trabalhamos todos os dias, não é?

Beijinhos grandes

Van disse...

Bem, eu trabalho pra isso em menos de metade do tempo, digamos, porque também estou no "negócio" (negócio para quem factura com as propinas, claro, que eu é à borlix) da ciência (sou lic em bioquimica). =)

Van disse...

e os olhinhos são lindos :)

GANDALF disse...

Acho que não estou a ser convencido minha querida,mas mesmo não podendo voar o teu abraço e a tua companhia chegaram ate mim e foram muito sentidos e muito valorizados,tal como é para mim o teu carinho e amizade,por tudo o resto que li,cada vêz mais tenho a certeza que iremos ter muita coisa para falar,e como eu gosto de falar,lol e partilhar ,o sorriso esse de certeza que ira fazer parte da nossa amizade.
É um previlégio para mim fazer parte das pessoas que consideras amigos,e desta vêz tenho mesmo que te dizer...OBRIGADO linda.

beijinho bom

Anjo De Cor disse...

Olá Gostei de conhecer o teu olhar ;) quanto ao que dizes concordo .... mas eu não sou assim, dificilmente faço amigos e dou-me a confiança desde criança ... creio que os amigos tb são muito raros, a maioria das pessoas demostram mais cedo ou mais atitudes que desapontam muito: inveja, cusquice, ingratidão .... por isso prefiro manter-me com uma certa distância ...
Quanto às crianças a maioria são anjos indefesos, não há nada a temer ;)
Bjs e bom fds ;)
Sónia

A Princesa disse...

Identifiquei-me bastante com este texto, sou filha única e tal como tu sempre me senti muito sozinha em criança e até na adolescência, sempre senti a falta de alguém para partilhar os meus momentos, fossem eles quais fossem.
Talvez por isso cheguei muitas vezes a ser amiga de quem não o merecia, mas fica-me o consolo de que fiz o melhor que pude e soube!
E, talvez por isso também, quis ter o 2º filho, para que nenhum deles sinta a falta que eu senti.
Acho que estão no bom caminho...

Bjs

Zabour disse...

Gandalf:
Eu é que te agradeço por me confiares em mim e me confidencires momentos da tua vida. Acredita que se pudesse já tinha voado para perto de ti.

Beijo grande, lindo:

Zabour disse...

Anjo:
De vez em quando temos que fazer um esforço e confiar em alguém. É dificil, eu sei, mas vais ver que para além das desilusões tb se fazem grandes amigos.

Beijo grande

Zabour disse...

Princesa:
Sim, fizeste bem.
Acho que a pior coisa é ser-se filho único. Uma criança precisa sempre de ter alguém em quem confiar, com quem contar todo o tempo...

Beijo grande

Zabour disse...

Van:
Obrigada. ;)

Beijinho grande

Nina disse...

Quando se é assim normalmente tem-se mais senseblidade que a maioria das pessoas mas também sofresse mais. Digo-o por experiencia propria.

Bjhos na pontinha do nariz

Safira disse...

A vida dá-nos alguns pontapés mas também a sabedoria para separar o trigo do joio. Eu também passei por uma fase mais arredia, mas hoje penso que a vida é curta. Nunca fui de muitos beijos e abraços, mas, à medida que a vida vai ficando 'urgente' sinto que tenho menos tempo para realmente demonstrar às pessoas de que gosto, de que realmente gosto. Se estão perto, são beijnhos ou abraços apertados. se são longe, são sms de improviso ou um telefonema assim por nada.
Recuso-me é a secar por dentro, só porque ´há gente parva à minha volta.
Beijo grande para tu, ó jeitosa!!!

D.Antónia Ferreirinha disse...

Zabour, tu és linda.
Quando li o post eu tive a certeza imediata de saber a quem te referias.
Para os dois, mil e um beijinhos grandes e amigos.

Gata Verde disse...

Deves ser uma boa amiga!!!

Beijocas e bom fds!

Zabour disse...

Nina:
Sofresse uma vida inteira, isso podes crer.
Mas acho que já tenho uma vivenda no céu com direito a piscina e vista panorâmica para a Terra...

Beijinho grande

Zabour disse...

Safira:
My sweet friend, you are always on my heart no matter what.
Remember :"Friends are like stars, you may not always see them , but you know they're always there"

Kiss ;)

Zabour disse...

D.Antónia:
Para ti um beijão do tamanho da minha admiração por ti. Apesar do teu 1, 46m ;) nota-se que és uma mulher e tanto. Bem haja!!!

Bjo

Zabour disse...

Gata:
Isso não sei, mas pelo menos dedicada sou.

Beijo grande

Maria Manuela disse...

Olá

Eu já fui auxiliar de educação num infantário e de facto nem toda a gente serve para educar uma criança.
Há as educadoras /professoras que o são por vocação e depois aquelas (como essa criatura incapaz de dar um abraço a um menino) que o são porque não conseguiram formar-se em mais nada ou sabe lá Deus porquê.

Admiro pessoas com a tua profissão, mas pricipalmente com a tua vocação. Numa altura em que os pais trabalham de manhã à noite, cabe-vos formarem e criarem os pilares afectivos e educacionais das gerações futuras. E isso (e não, não tenho filhos) tem muito, mas muito valor.

beijito

Zabour disse...

Maria Manuela:
Infelizmente nem todos os pais, nem todos os colegas têm capacidade para perceber tudo o que disseste.Mas eu prefiro acreditar que um dia todos vão pensar assim.
Obrigada pela visita, volta sempre.

Beijinho grande