sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Still 150 days...and counting...


Quem me conhece pessoalmente, ou me lê com atenção, já percebeu de certeza que adoro a minha profissão, de tal forma que para mim ser professor não é ter uma profissão mas sim, uma forma de vida.

No entanto, desde o último concurso, em que fui colocada nos Apoios Educativos, há 3 anos atrás, sinto-me muito desmotivada.

Sou daquelas que acha que muito tem que mudar na educação, não sou contra a avaliação, sou contra esta avaliação, mas sou sobretudo contra certas coisas que se passam dentro com a educação.

Tenho visto em algumas das minhas colegas, quais os principais motivos pelos quais a educação em Portugal vai tão mal.

Vive-se uma ditadura, não só a nível do ministério, mas dentro das próprias escolas. Se te esforças, tens a mania que és esperta e gostas de te evidenciar, se não fazes nada, és uma baldas e andas sempre às costas dos outros...

Estar no Apoio foi a pior coisa que me pode acontecer. Adoro trabalhar com crianaças, ensiná-las, aprender com elas, respeitá-las, tratá-las como igual...talvez por isso me sinta tão desanimada...

Por mais que me esforce nada do que faço parece dar frutos. Tenho que trabalhar de acordo com as metodologias dos outros, sem colocar um bocadinho de mim no que faço, sinto-me um verdadeiro pau mandado.

Dava tudo para ter a minha turma, fazer coisas loucas, rir, brincar...

Lembro-me com saudades da última turma que tive em Poiares, há 3 anos atrás.

Era uma turma de 2º e 4º anos. O 4º ano devia ter sido do meu colega, uma vez que a turma era dele há já alguns anos, mas as coisas tinham corrido mal no último ano e quando cheguei ao agrupamento, disseram-me que ia ficar com os garotos dele e mais uns quantos de 2ºano...

Foi um ano incrível...o 2º ano então, era um grupo de crianças fantástico...e o 4º depois de umas conversas também ficou...

Fazia 150 kms todos os dias, eu e a minha amiga e companheira de trilhos, a Rosa.

Agora que faço menos de metade dos kms, parece-me que cada um deles vale a dobrar...a triplicar...a quadriplicar...

Se Deus realmente existe, como eu gosto de acreditar que sim, no próximo concurso, vou ter a minha turma, nem que seja a 100kms de casa (bem, o distrito não é assim tão grande)...

Mas se me calhar outra vez este pincel, acho que vou pensar seriamente em mudar de profissão...a sério, ninguém merece. Enquanto isso, conto os dias até terminar este inferno...

Beijinhos quentinhos e bom fim de semana a todos...

15 comentários:

Siuxi disse...

Olá querida Zabour,

Obrigada pela tua visita e também pelas carinhosas palavras. Tu tens uma alma sensível, por isso com certeza sabes o peso positivo que as palavras podem ter em determinado momento menos feliz da nossa vida.
Quanto ao teu desanimado desabafo... Como mera encarregada de educação não tenho uma opinião formada acerca da vossa avaliação. Perante o vosso tão grande protesto e visível descontentamento, bem como pelo que li e ouvi de colegas teus, percebo que o que está em questão é o método de avaliação e todos os aspectos burocráticos que o envolvem. O poder que alguns docentes passaram a exercer sobre outros docentes, colegas e avaliados, é um paraíso para ambições frustradas.
Devido à profissão que tenho, lido de perto com os professores principalmente durante o mês de Setembro e se antes via lágrimas rolarem pelo rosto de alguns, devido à situação de desemprego em que se encontravam, agora, vejo nesses rostos essencialmente desencanto e confusão.
Eu continuo a achar a vossa profissão muito nobre e corajosa. E como mãe de uma criança de 5 anos, espero sinceramente que no seu futuro próximo ele venha a ter a sorte de encontrar alguém com essa paixão pelo ensino, esse prazer na partilha dos seus conhecimentos, alguém que o ajude a sorrir perante as dificuldades que vai encontrar nessa difícil tarefa que é crescer. Alguém como tu.
Deixa que o desânimo alimenta a tua força e determinação. Afinal, estás só de passagem não é?

Muitos bjnhs e mta força para essa tão nobre luta.

Maria Manuela disse...

Eu aho que ser professor nos dias que correm deve ser um desalento...

Curiosamente sendo vocês um grupo profissional que marca a diferença porque ajudam a formar gerações, nunca vos vi tão mal tratados e desrespeitados.

Mas eu ainda sou do tempo em que quando a Professora entrava na sala, os meninos levantavam-se para a saudar.

Hoje a escola é uma bandalheira e uma falta de respeito...

Gabo-te o empenho e a dedicação.
bj

Kim disse...

A vida também é feita destas injustiças.
O ensino está hoje totalmente diferente. Tem coisas melhores e outras piores. Mas é estranho porque a tendência seria para melhorar.
A colocação dos professores a milhentos quilómetros de distãncia é uma vergonha. A falta de respeito é outra vergonha ainda maior. O negócio dos livros, é um escândalo.
Perante um cenário destes a única alegria que podes ter é a certeza dum emprego, certeza que não calha a todos.
Não vale a pena desesperar porque não há mal que sempre dure e bem que nunca acabe.
Força, professora! Coragem,escorpião!

Van disse...

No fundo, está tudo uma grande confusão por males ignorados durante muito tempo, em várias vertentes. Na verdade, e o barack obama disse-o no seu discurso, "o mundo está a mudar e nós temos de mudar com ele". Nada mais certo. As realidades na educação mudaram. As crianças mudaram. Os encarregados de educação mudaram. Os professores mudaram. Todos mudaram e no entanto ninguém quer aceitar a mudança ou mudar convergentemente.
Por exemplo, é verdade que há muitos miúdos indisciplinados. Sempre houve, na verdade. Mas hoje, já mais liberdade, há menos autoridade, há menos castigos, há menos imposição da disciplina e, há mais miúdos. Há mais problemas, há mais familias, há mais descontentamento, há mais acesso a comportamentos abandalhados (porque é cool, porque é fixe e etc...), há mais desculpas...sei lá...só sei que não é numa sala de faculdade que iremos aprender como lidar com estes "admiráveis novos miúdos", nem é com suspiros do género "no meu tempo isto, no meu tempo aquilo"...temos de nos adaptar, de inventar novas soluções, aproximações, disciplinações, castigos, recompensas, etc, etc. Quando digo nós, digo todos, pais, professores, direcções, estado, alunos...

Van disse...

ps - e de certeza que nao se conegue isso com esta ministra... :-p:D

GANDALF disse...

Não vou dizer muito,ate pelo pouco que te conheço sei que ADORAS o que fazes e te realizas com isso,infelizmente neste País o que interessa é o interesse de alguns em total desrespeito pelo bom profissionalismo,dedicação e amor pelo que se faz,cada vez mais por aqui se "valoriza",o mau profissionalismo,e a incompetência,desde que se tenha um "tio" ou um "padrinho" ou um "cartão" da cor certa.
Enfim tem "esperança"que este ano á eleições,hehehehe.


Beijinhos doces e BFS

Zabour disse...

Querida Siuxi:
Obrigada pelas tuas palavras.Realmente é com grande pezar e descontentamento que encaro a profissão de docente nos últimos tempos. Quando tenho turma, se as coisas correm mal, recarrego as minhas energias com as crianças, elas são a minha fonte de enregia...Tenho a certeza k ia adorar ser a professora da tua criança, com uma mãe sensível as coisas correm sempre muito melhor.

Obrigada querida, um beijo grande!

Zabour disse...

Mª Manuela:
Ultimamente não me tenho sentido merecedora de elogios mas de qualquer das formas, obrigada...
A sério...

Beijinhos

Zabour disse...

Kim:
Obrigada do fundo do coração...realmente acho k ando a deixar os escorpiões mal vistos, mas o descontentamento é tanto k às vezes faltam-me as forças.

Sê bem vindo! Beijinhos, volta sempre

Zabour disse...

Van:
Ando nisto há pouco mais de 12 anos. Na 1ª reunião com os encarregados de educação, geralmente eles saiem da sala com muit a má impressão minha. Faço questão de mostrar logo no 1º dia as minhas regras e a forma cm pais e alunos as devem seguir. Acho k alguns deles ficam até co medo de mim ;O)
Mas prefiro que saibam logo desde o início quais são as regras do jogo, as penalizações, as beneces, tudo...
O resto, os sorrisos e as conversas mais leves, essas vão aperecendo com o tempo, mas na 1ªaula nem me vêm os dentes.
Por isso acho uma palhaçada qd colegas k o dobro do meu tempo de serviço abrem quase as pernas aos pais e dps vêm-se queixar k não controlam os miúdos.
Epá, tenho uma turma onde tenho mais alunos a apoiar k tenho k ralhar com os outros garotos para poder trabalhar com os meus...isto é normal???
O mal pudia ser da turma, mas já fikei com eles umas qts vezes sozinha e olha, nem parecem os msms.
Agora diz-me de quem é a culpa???


Beijinhos

Zabour disse...

Gandalf:
Meu amigo, tocaste na palavra chave "incompetência"
O pior é k há muito por aí, mts deles andam nisto há uma vida e formaram mais uns qts incompetentes. Eu sou da opinião k a educação é a base de um bom país, e com ela neste estado, cm vamos evoluir???

Beijinhos, meu mago

Van disse...

Era exactamente isso a que eu me referia. Ou trabalham todos em conjunto, ou, esquece. Temos de mudar, porque as crianças de hoje sao diferentes. Uma das minhas turmas (a única q tenho agora) está a resultar, e porque? Porque foi uma luta constante batalhada por todos. Falámos todos uns com os outros, estabelecemos as regras que todos os formadores cumpririam e fariam cumprir, falava-se com os pais, fazia-se reuniao de pais (coisa rara na formação), debatiamos os problemas disciplinares em conjunto, nem que por sms ou messenger, tomavamos atitudes em conjunto...enfim, e as miúdas hoje são uma das melhores turmas que já tive nestas andanças (mas eu só ando nisto há 3 anos loool). Noutra turma, conseguia mais ou menos algo delas, consegui mais na ultima unidade pq deixei claro que era a ultima oportunidade para recuperar notas. No inicio era dificil, pq nunca estava em contacto com outros colegas...nao nos punham em contacto, mal havia reunioes, a coordenaçao era à distancia, as miudas sentiam-se abandonadas...foi horrivel. Na ultima unidade melhorou pq começou a haver mais contacto com a coordenadora, entre os formadores, etc...o trabalho de equipa é o melhor. Sozinha, nao vou lá, dado q so as tinha umas duas a 4 h por semana e num so dia.

Já leste os livros de uma torey, que professora de crianças com problemas? escreveu a criança q nao queria falar. Espectaculo...

Zabour disse...

Van:
Sim, até já comprei pk a pita (sobrinha) disse k a professora lhes havia falado no livro a aula de formação cívica e fiquei curiosa. Só estou à espera de acabar de ler "o meu jardim..."
Está a ser muito relaxante;O)
Dps trocamos impressões!

Beijinhos amiga, e boa semana, bem precisamos!!!!

Van disse...

Ah, vais gostar...eu adorei :) tomara que todos os profes tivessem metade da tenacidade dela. :) Sei que ela escreveu mais livros sobre outros casos que acompanhou. E o que é certo é que ajudou aquelas crianças, contra tudo e todos. Muitas vezes dizemos que não podemos salvar quem não quer ser salvo, ou que não podemos ir buscar os miúdos a casa. Ela, ia. E salvava quem, à partida, parecia não ter redenção possivel. Fiquei de lágrimas nos olhos, acredita.

Pois, boa semana. ;) vai ser uma semana diferente, vou mudar de vida...os proximos dois meses vão ser passados amarrada à secretária a escrever (isto sou eu a mentalizar-me).

Zabour disse...

Van:
Sim, já vi na FNAC k ela tem mais livros sobre este tipo de temas, mas por enquanto vou esperar para ler este. dps digo-te o k achei.

Beijinhos, linda!