domingo, 6 de julho de 2008

Carpe diem!




Sempre gostei desta frase "Carpe diem", "Seaze the Day", aproveita o dia...



A primeira vez que a ouvi deve ter sido da mesma forma que milhares de outras pessoas a ouviram, naquele filme fantástico , onde chorei baba e ranho, para variar, " O Clube dos Poetas Mortos".



Ainda há pouco tempo o voltei a ver...



A primeira vez que a ouvi foi de facto nesse filme, se bem me lembro, em Lisboa. Pertencia ao Clube de Jornalismo da escola secundária e uma das actividades do Plano Anual, era ir a Lisboa ver um filme e fazer uma reportagem sobre isso.


É que na altura, haviam encerrado o cinema em Moura, a mais linda cidade do Baixo Alentejo, onde vivi durante muitos anos. Foi elevada a cidade em 1986! Sabem o que aconteceu a seguir??!


Acabaram com os comboios, com o cinema, a piscina passou a fechar às oito horas, deixou de ter hospital...Enfim, são os ventos da mudança...para pior, claro!



Acho que foi com esse filme que encontrei a minha vocação para o ensino, até então já tinha pensado em ser arquitecta, veterinária, até astronauta...imaginem, com as vertigens que tenho ia ser lindo!



Mas realmente achei fascinante a relação daqueles alunos com o professor. Era assim que eu me imaginava. Poder mudar mentalidades, abri-las, fazê-las ir mais além...



Há dois anos atrás, a mãe de um menino da minha turma de então, do melhor que um professor pode ter, diga-se de passagem , porque era uma turma bestial, ofereceu-me um livro na festa de fim de ano:"Pais Brilhantes, Professores Fascinantes". Lá dentro a nota introdutória do livro dizia assim:

"Dedico este livro a uma pessoa muito importante na minha vida......

Você deixou os seus sonhos para que eu sonhasse.


Derramou lágrimas para que eu fosse feliz.


Você perdeu noites de sono para que


eu dormisse tranquilo.


Acreditou em mim, apesar dos meus erros.


Ser educador é ser poeta do amor.


Jamais esqueça que eu levarei para sempre


um pedaço de seu ser dentro do meu próprio ser..."



Mais abaixo estava escrito com a letra do meu pintainho, como eu lhes chamava:"Para a minha professora!Obrigada pelo ano que tivemos".

A seguir a mãe olhou-me nos olhos e já sem fazer esforço para reter as lágrimas disse-me: "Obrigada, por tudo! Neste ano todos nós viemos à escola aprender a ser autênticos!"


Fiquei sem palavras naquele momento, queria falar, mas as lágrimas e os soluços de quem tenta vir à superfície abafavam o som da minha voz.


Dei por completa a minha jornada...Com os objectivos mais que superados... os do coração...


Carpe diem...Aproveita o dia...Aproveita a vida...

2 comentários:

Safira disse...

Ora aí tens...quantas pessoas se podem gabar de retirarem satisfação do seu trabalho? De se deixarem emocionar, de o encararem como mais do que um simples ganha pão? Que bom teres esses momentos, e não um quase omnipresente sentimento de frustração, como se o que fizesses não contasse para absolutamente nada e fosse de uma inutilidade social extrema. Falo com conhecimento de causa, claro, mas tb já aprendi a lidar com isso. Concentro.me em tudo o que posso ter e me dá prazer com o meu salário e retiro a satisfação pessoal de coisas à margem do vínculo laboral.
Sinto uma saudável inveja de médicos, professores, bombeiros, etc, que trabalham para um fim que proporciona mais valia social. Devia ter ido para veterinária...

Beijocas e obrigada por me fazeres pensar num dos meus filmes de sempre, oh captain, my captain!
Beijos

Zabour disse...

Amiga, infelizmente as coisas nem sempre são assim tão boas.
Nestes últimos dois anos em que estou no apoio educativo já tenho experimentado muitas vezes a frustração, a desmotivação e até a raiva. Realmente o que eu imaginei quanto ao ser professor, há mil anos atrás quando me mentalizei disso, é bem diferente daquilo que me "saiu na rifa" para estes três anos. Todos os dias quando acordo o meu pensamento é: "Só falta mais um ano!".Mas logo vem a incerteza : " E se este pincel me calha outra vez?". Da próxima vez é por quatro anos...Já ponderei mudar de profissão, nos últimos meses então, nem imaginas quantas...É que nem o salário é lá dessas coisas, vai dando para fazer umas viagens de vez em quando e conhecer pessoas que nos marcam para a vida...é o que tem de bom!!!!
Ainda hoje na reunião que tive das 9.30 às 14 horas, desliguei o botão e pensei que no meio das dunas se estava bem melhor.
Sim, porque quem pensa que os professores têm as mesmas férias que os meninos iludem-se!
Amanhã, pequeno almoço às nove...
Boussa